domingo, 29 de janeiro de 2012

Da vida, dádivas

Estou em busca de uma postura generosa, um ato humano.

Generosidade e desapego... o que mais ficou da vida nos últimos anos. Nada a ver com coisas de '"boazinha". É coisa de buscar um outro olhar sobre a vida, uma nova atitude que dê conta da vibrante dinâmica do universo. Agregando o estranho. Tornando familiar o estranho. E desapegando-se do familiar, estranhando e desnaturalizando o familiar. Abrindo mão do familiar que não tem mais lugar no nosso dia a dia, no nosso mundo.
Bom saber que não levei umas porradas a toa. Que as perdas não foram em vão. Que as perdas foram prá ganhar. Isso eu sabia. Mas hoje sei também que elas foram prá me tornar mais leve. Me fazer mais livre. Me tornar um pouco mais plena. O suficiente prá reconhecer o sabor da vida. Da dádiva e do quanto ela pode potencializar. Curar em horas sem fim. Não, não tão plena que não esteja sujeita a mais porradas e perdas...demasiadamente humana...
...E prá passar a frente. Deixar um tanto de coisas por aí, no mundo.
Bom pensar o quanto a dádiva pode nos ajudar a encontrar caminhos...que a vida vibra e ganha em horizonte quanto mais se doa, se troca, e mesmo se perde.




sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

_ para onde vai?

_ não sei. mas sei que para aquele cantinho, eu não vou não. vou para algum lugar além

a dádiva e as asas

importar do latim importare significa trazer para dentro. quando a gente se importa traz para dentro, pessoas, coisas do mundo. e ao trazê-lo, se amplia no mundo. se conecta a tudo que tem vitalidade e faz o mundo mover-se. 
Minha amiga Fabiana é uma destas pessoas, que se importa. Me deu uma linda dádiva.


quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

a gente pode olhar o mundo de vários lugares. basta criá-los e não seguir apenas o que está dado. venho pensando sobre isso, farejando lugares possíveis de criação, que não esterilizem, que ajudem a produzir minha autonomia e dos outros.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

...

Desta janela, eu vôo. Conversando com Manoel de Barros, eu não sei fazer poesia mas bem que vôo fora da asa. Quando a gente é gente, e por isso se machuca, aprende a voar fora da asa.

Transbordes....Viagens...Conspirações...ou seriam conspirAÇÕES?



 
 
Este texto foi inscrito, depois de uma conversa inspiradora com minha amiga Karina Lerner, lá pelos idos de 2003. Ainda penso nele, ainda penso em seus sentidos.


Carente sim. De vitaminas, ferro e sais de minerais. Fome e desejo??? São outros transbordes, que quem sabe é meu corpo e  nós temos mesmo é necessidades, naturais. E sociais, produzidas a partir das mudanças que os tempos vão trazendo prá nossas vidas, e mais ou menos limitadas de acordo com o lugar que ocupamos na sociedade. Naturais de comer e beber, fazer sexo, ter afeto, fazer coisas no banheiro. Comer bem, trabalhar, ter saúde, estudar, ter um som, computador, acesso a internet, celular etc e todas as maravilhas que vão facilitando nossas vidas, abrindo nossos mundos. Algumas vão se tornando radicais porque, em meio aos conflitos e diferenças da sociedade, vão nos fazendo brigar por direitos que nos são negados.

E temos desejos. Transbordamos de desejos. E não de carências. De comer o que curtimos, saborear uma bebida que gostamos, conversar com as pessoas que nos fazem bem, fazer sexo gostoso, "se embalar na rede matando a sede na saliva...", dançar, cantar, urrar, falar besteiras, "blás blás blás" e "ti ti tis"e fazer o que nos dá prazer, e reforça nossa presença no mundo, sem nos pasteurizar por aí.

Precisamos de tudo isso prá viver a vida que nos é de direito. E não há uma hierarquia nestas coisas, tipo primeiro as naturais, depois as sociais e, por fim, os desejos.

O desejo não nos coloca no lugar da vítima, que deve ser salva por algo de fora, seja o governo ou uma cesta básica assistencial. Na vida pessoal, um super amigo ou na versão mais radical, um super homem, uma super mulher. O desejo não é produzido num outro lugar e entulhado em nós. É criado em nós enquanto nos relacionamos, e envolve escolhas, ainda que muitas vezes negadas, ou mal enfrentadas. O desejo é afirmativo de vida. Não fala de falta, nem de vazios, nem de buracos, nem incompletudes. Fala de coisas humanas, com as quais podemos tornar nossa vida muito melhor, e nos sentirmos menos frágeis, vulneráveis, aquém de tudo. E o desejo cutuca aquilo que de melhor habita em nós e nos valoriza: nossas potências, nosso diferencial em meio aquela coisa toda igual que aparece nas propagandas e que não vamos alcançar nunca. Cutuca o que é nosso, e que é bom demais porque é real, e não faz de conta, embora a gente nem sempre veja. É perverso que a gente veja a beleza da Giselle coisinha e não veja o que há de belo escondido em nosso corpo. Que a gente olhe o sucesso do outro e não se dê conta da diferença que fazemos prá tanta gente em nossas relações de trabalho. E por aí vai...

O anúncio recorrente da carência coloca panos quentes naquilo que borbulha e vibra em nós, nos empurrando prá ir além. Não é a toa que adoro aquela música dos Titãs. Nos tira do lugar em que tentam nos colocar, de que não precisamos de tudo que temos direito prá viver. E afirma a vida, nos empurrando prá ir construí-la e não esperar que alguém, ou o destino, faça isso por você. Você tem fome de quê? Você tem sede de quê?

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

flechas

este dia de são sebastião do rio de janeiro foi um dos piores dos últimos tempos. tantas flechas cravejando meu coração analfabeto. uma dor, que para ser combatida, exige que eu saia daqui.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Deslocando



...muito pouco vejo desta janela; daqui meu olhar não atravessa concretos; não vejo o mar, nem o infinito; vejo os conflitos que separam e aprisionam a todos; daqui vejo uma infância tragada por sonhos e esvaziada por perdas; uma juventude fugidia e grave, imersa na dor das perdas; daqui reinterpreto um passado e recupero doces rituais, uma inocente criança, um certo gosto exagerado de doce, um firme e necessário aprendizado de vencer o medo e encarar o amargo da vida.

daqui volto, de uma janela estreitada, uma alma em expansão, procurando dentro, tudo que me trouxeram de fora.

ingressando na primavera de 2011

Na fronteira




"Abraço desilusões, levo para passear minha tristeza
diante do mar, feito um cachorrinho"

(Ronaldo Januario, Num Sonho)