sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

No lixo cinza do universo: que fazer?




Há algum tempo, um amigo respondeu a um texto que escrevi com um trecho de um poema de Maiakóvski, que eu não conhecia. Maiakóvski era um poeta russo das ruas, de comícios, de fábricas, da leitura de poemas pelo rádio... Revolucionário, do ponto de vista social e literário


A extraordinária aventura vivida por Vladimir Maiakóvski no verão na Datcha (1)


A tarde ardia em cem sóis
O verão rolava em julho.
O calor se enrolava
no ar e nos lençóis
da datcha onde eu estava,
Na colina de Púchkino, corcunda,
o monte Akula,
e ao pé do monte
a aldeia enruga
a casca dos telhados.
E atrás da aldeia,
um buraco
e no buraco, todo dia,
o mesmo ato:
o sol descia
lento e exato
E de manhã
outra vez
por toda a parte
lá estava o sol
escarlate.
Dia após dia
isto
começou a irritar-me
terrivelmente.
Um dia me enfureço a tal ponto
que, de pavor, tudo empalidece.
E grito ao sol, de pronto:
¿Desce!
Chega de vadiar nessa fornalha!¿
E grito ao sol:
¿Parasita!
Você aí, a flanar pelos ares,
e eu aqui, cheio de tinta,
com a cara nos cartazes!¿
E grito ao sol:
¿Espere!
Ouça, topete de ouro,
e se em lugar
desse ocaso
de paxá
você baixar em casa
para um chá?¿
Que mosca me mordeu!
É o meu fim!
Para mim
sem perder tempo
o sol
alargando os raios-passos
avança pelo campo.
Não quero mostrar medo.
Recuo para o quarto.
Seus olhos brilham no jardim.
Avançam mais.
Pelas janelas,
pelas portas,
pelas frestas
a massa
solar vem abaixo
e invade a minha casa.
Recobrando o fôlego,
me diz o sol com a voz de baixo:
¿Pela primeira vez recolho o fogo,
desde que o mundo foi criado.
Você me chamou?
Apanhe o chá,
pegue a compota, poeta!¿
Lágrimas na ponta dos olhos
_ o calor me fazia desvairar ¿
eu lhe mostro
o samovar:
¿Pois bem,
sente-se, astro!¿
Quem me mandou berrar ao sol
insolências sem conta?
Contrafeito
me sento numa ponta
do banco e espero a conta
com um frio no peito.
Mas uma estranha claridade
fluía sobre o quarto
e esquecendo os cuidados
começo
pouco a pouco
a palestrar com o astro.
Falo
disso e daquilo,
como me cansa a Rosta (2),
etc.
E o sol:
¿Está certo,
mas não se desgoste,
não pinte as coisas tão pretas.
E eu? Você pensa
que brilhar
é fácil?
Prove, pra ver!
Mas quando se começa
é preciso prosseguir
e a gente vai e brilha pra valer!¿
Conversamos até a noite
ou até o que, antes, eram trevas.
Como falar, ali, de sombras?
Ficamos íntimos,
os dois.
Logo,
com desassombro
estou batendo no seu ombro.
E o sol, por fim:
¿Somos amigos
pra sempre, eu de você,
você de mim.
Vamos, poeta,
cantar,
luzir
no lixo cinza do universo.
Eu verterei o meu sol
e você o seu
com seus versos.¿
O muro das sombras,
prisão das trevas,
desaba sob o obus
dos nossos sóis de duas bocas.
Confusão de poesia e luz,
chamas por toda a parte.
Se o sol se cansa
e a noite lenta
quer ir pra cama,
marmota sonolenta,
eu, de repente,
inflamo a minha flama
e o dia fulge novamente.
Brilhar para sempre,
brilhar como um farol,
brilhar com brilho eterno,
Gente é pra brilhar
que tudo o mais vá prá o inferno,
este é o meu slogan
e o do sol.


1920 (Tradução de Augusto de Campos)


(1) Datcha: casa de veraneio
(2) Rosta: agência telegráfica russa, para a qual Maiakóvski executou cartazes satíricos de notícias.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Sangrando...



Há coisas que me fazem sangrar. Elas tomam forma nas notícias de jornais, em atitudes de pessoas que me cercam, em coisas que vejo pelo mundo, em minha vida, na minha vida cruzando com vidas outras.

Elas andam em círculos fechados. Não olham pra o lado. Não olham pra frente. Não editam memórias. Não visualizam horizontes. Vivem com medo. Vivem do medo. De criar medo. Produzem enredos solitários, vidas em ilhas. Anunciam bandidos e vítimas a cada dia. Desumanizam. Nos roubam potência, querendo nos privar de forças, de horizontes.

É o silêncio que consente. É o vazio que fere. É a palavra que quer cortar. É uma maneira de dizer sim quando já é hora de gritar CHEGA. De lamentar aprisionando quando se faz urgente combater sem prisões. São as armas assassinas. Que engolem vidas. Às vezes em intensa velocidade, às vezes aos poucos.

São armas de guerra, mas que negam conflitos, sem encara-los. Jamais fazem vibrar a vida em infinito porque desconhecem as fronteiras, desconhecem o infinito. O infinito capaz de ver o outro. O outro que está em cada canto do mundo. O outro ao nosso lado. O outro no canto de nós.

São armas de guerra que produzem a vida em drama, sem lançar sementes que permitem arrebentar os nós que nos sufocam e nos engolem. São as armas no mundo político. São as armas no mundo de trabalho. São as armas em nosso universo doméstico. Armas que são mais perigosas quando invisíveis.

Estou cansada e impaciente. Pensei ser a idade mas agora vejo que é o vigor, a radicalidade do vigor. Ainda tenho sangue suficiente mesmo sangrando. Estou apagando tudo que anda em círculo e não vibra em infinito. Os que se recusam a experimentar o experimental, em experimentar a vida como ela é, experimental. Os que derrubam os que estão a frente. Quero apenas aqueles que se permitem levitar, estendendo as mãos para quem está e para quem passa. Quero apenas aqueles que amam na dança épica. Porque é aí que não temos fronteiras, nem prisões, nem receitas, nem falas decoradas, nem papéis protagônicos, nem pré destino...Apenas somos e deixamos ser. 

novembro de 2004

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Ato de amor: diversão

 

Aprendi o cuidado, respeitar a fala e a temperatura do meu corpo. E o ritmo deste coração que só quer quietude. Em noites assim, escolho, tramo...Eu é que reino, soberana...

A casa, vazia. A noite, silenciosa. A lua, cheia, azul, segunda do mês que termina. Não sei o que significa mas parece que algo aqui dentro sabe porque resolveu celebrar. O fogo manso, em incenso. O vinho, tinto. O corpo, semi coberto, em branco e o véu, laranja. E eu, em sangue, aqui comigo, sem contar dias, sem fazer contas. É isso que quero, é disso que preciso.

Danço prá mim. Erguendo-me, do chão. Da terra, buscando o ar, o céu. Voltando à terra prá então paciente, cheia de ar, subir mais uma vez, levantar o peito, buscar... livre. Mover, mover, mover sempre... Vibrando...

Do meu corpo, vai correndo a água. Do ventre, do coração, sai medo, tristeza, coisas que devem partir ... e o suor escorre... Sobre a face, as lágrimas e o véu me cuidam. Só calor, fica por todo o corpo. Me curo. Me molho....e outro mundo me atravessa...Deixo-o entrar. Sorrio, abrigo.

Divido...Já não danço prá mim, danço prá ele. Corpo sem freios, coração sem vergonha. Tramo por ele, do jeito que sei. Cheia de água, com fantasia... Peço por ele... proteção, liberdade, coisas diversas... soberanas.

Reino, cúmplice...amor tem a ver com desvio, com mudança de direção, diversão... 

(2004)

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Desde los afectos

Cómo hacerte saber que siempre hay tiempo?
Que uno tiene que buscarlo y dárselo...
Que nadie establece normas, salvo la vida...
Que la vida sin ciertas normas pierde formas...
Que la forma no se pierde con abrirnos...
Que abrirnos no es amar indiscriminadamente...
Que no está prohibido amar...
Que también se puede odiar...
Que la agresión porque sí, hiere mucho...
Que las heridas se cierran...
Que las puertas no deben cerrarse...
Que la mayor puerta es el afecto...
Que los afectos, nos definen...
Que definirse no es remar contra la corriente...
Que no cuanto más fuerte se hace el trazo, más se dibuja...
Que negar palabras, es abrir distancias...
Que encontrarse es muy hermoso...
Que el sexo forma parte de lo hermoso de la vida...
Que la vida parte del sexo...
Que el por qué de los niños, tiene su por qué...
Que querer saber de alguien, no es sólo curiosidad...
Que saber todo de todos, es curiosidad malsana...
Que nunca está de más agradecer...
Que autodeterminación no es hacer las cosas solo...
Que nadie quiere estar solo...
Que para no estar solo hay que dar...
Que para dar, debemos recibir antes...
Que para que nos den también hay que saber pedir...
Que saber pedir no es regalarse...
Que regalarse en definitiva no es quererse...
Que para que nos quieran debemos demostrar qué somos...
Que para que alguien sea, hay que ayudarlo...
Que ayudar es poder alentar y apoyar...
Que adular no es apoyar...
Que adular es tan pernicioso como dar vuelta la cara...
Que las cosas cara a cara son honestas...
Que nadie es honesto porque no robe...
Que cuando no hay placer en las cosas no se está viviendo...
Que para sentir la vida hay que olvidarse que existe la muerte...
Que se puede estar muerto en vida..
Que se siente con el cuerpo y la mente...
Que con los oídos se escucha...
Que cuesta ser sensible y no herirse...
Que herirse no es desangrarse...
Que para no ser heridos levantamos muros...
Que sería mejor construir puentes...
Que sobre ellos se van a la otra orilla y nadie vuelve...
Que volver no implica retroceder...
Que retroceder también puede ser avanzar...
Que no por mucho avanzar se amanece más cerca del sol...
Cómo hacerte saber que nadie establece normas, salvo la vida?


Mario Benedetti

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Sons da carne, sons da alma

...decifro os sons...eles me dizem que é diferente de tudo que me fizeram acreditar...

eu não sei bem dizer o que é....podia dizer ferida, podia falar trauma; mas tudo isso não dá conta de dizer daquilo que não é fixo, que não tem casca, não tem limite e lugar definido, nem uma origem que explique, e muitas vezes nem dói, nem sinal de vida dá...


...ficam abrigadas bem lá no fundo, num lugar onde nem a gente alcança com um simples ato de vontade; fixam-se em nós mas jamais do mesmo tamanho; crescem devagarzinho, tomando espaços cada vez maiores, comprometendo pedaços imensos de nossas vidas, freqüentemente limitando, nosso tamanho, nossa potência, nossa existência; nos transformam em sombras; ainda que bem feitas e acabadas, sombras que se alojam num original que não encontra espaço prá crescer e precisa vicejar.


quando espalham-se transmutam-se naquilo que vai sendo chamado carências, vazios, traumas, coisas mal resolvidas... Mas não....custei a descobrir... não são coisas que faltam; não são coisas "do mal"; são apenas emoções que não tiveram o cuidado merecido; às vezes, porque lhe demos proporção demais; em outros casos, demos atenção de menos; quase sempre, recusamo-nos a compartilhá-las com alguém, acreditando que elas só habitam em nós. Às vezes, é vergonha. Às vezes, é medo. Quase sempre é recusa de rememorar acreditando que ao fazê-lo iremos vivê-las novamente...


...são emoções que habitam em nós como resíduos, uma espécie de segredo, emoções silenciadas, meio que oprimidas, que nunca puderam ser tratadas com cuidado e liberdade. Aquilo que não é, não foi ou ficou a deriva... Porque não quisemos. Porque não pudemos. Porque não deixaram. Porque não era o tempo possível.

 

algumas vezes, alguém ou algo as atinge, involuntariamente. Uma palavra, uma cena de filme, uma música, uma situação que tem o tom de repetição....Uma espécie de tortura... As emoções se traem e as áreas silenciadas falam. Ouvimos o lamento, o choro, os gritos...Traduzimos tudo em dor, ferida e as cobrimos com o manto sombrio, do medo. ... não compreendemos seu som, o grito da vida, um grito pelo cuidado merecido, por liberdade, por mutação...
 

olhos e ouvidos fechados ao possível...o Possível? Palpável? Tangível?

às vezes, algo ou alguém as alcança, involuntariamente, com carinho... Um brilho de sol, um artefato de vida, um mensageiro dos deuses, uma situação que tem o tom da transformação... Uma espécie de cura...O que era silêncio sombrio parece ir se transformando...Sentimos a melodia suave que acorda os pedaços inertes atingidos pela sombra. Podemos ouvir o grito da vida. Começamos a ficar do nosso tamanho... Iluminamos os sons e deciframos aquilo onde um dia vimos apenas gritos, lamentos, choros, silêncios sufocados. Reconhecemos sua música. Desejo. Liberdade! É disso que fala. É esta sua versão. 


setembro de 2004 

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

De meu pai

O amor é o círculo infinito de brincar com a magia da vida



Meu pai possuía uma maneira bem particular de contar histórias prá mim, quando eu era pequena. Não se alongava muito. Abreviava tudo. Mas todas as lembranças que possuo de histórias infantis estão associadas a ele. Ironicamente, meu pai, sempre tão calado e objetivo, era o personagem da minha infância que dava asas a minha imaginação.

De vez em quando, quando eu me vestia de "gente grande" e desfilava pela casa, ele me observava, escondendo um sorriso. Eu via seu sorriso e acreditava que ele debochava de mim. Custei compreender que o sorriso era de pai orgulhoso da filha e que as fotografias que ele tirava de mim, revelavam isso.

Quando fui morar sozinha, ele não disse uma só palavra. Nem de apoio. Nem de censura. Senti que ele não gostou muito. Mas ele nada disse. Assistiu minha mudança em silêncio.Algumas semanas depois, já instalada no novo apartamento, ele apareceu no meu apartamento. Com seu jeito peculiar, ao invés de tocar o interfone, bateu na janela da sala do apartamento, que ficava no térreo de um pequeno prédio. Abri a porta e ele apareceu com uma televisão. Me deu a televisão novinha mas não ficou muito tempo. Não chegou para visita. Chegou para me dar a única coisa que faltava na nova casa.

Este era meu pai, até alguns atrás. Sem muitas palavras. Muito conciso. Às vezes distante. Escondendo sorrisos e sentimentos. Sempre me obrigando a olhar além, e compreender sua maneira de se fazer presente em minha vida e amar. Precisei caminhar muito para entendê-lo mas ao fazer isso, consegui também me entender e ver melhor o mundo. E consegui perceber o quando há dele em mim.

Depois de tanto caminhar para compreendê-lo, ele mudou! Alguns dizem que foi meu sangue, que doei a ele em uma transfusão. Uma metáfora para tamanha mudança, que transformou um homem calado num falante. Um homem, às vezes quase sombrio, em uma pessoa bem humorada, sempre pronta para viajar, e alegrar a viagem com suas piadas. Um homem que, depois de muitas décadas de casamento, passou a manifestar a adoração pela mulher com quem casou, montando painéis de suas fotografias.


Amanhã é aniversário dele. Queria falar dele. Agradecê-lo por ter me ensinado tanto e nunca ter deixado de estar presente em minha vida. Por ter confiado em mim e respeitado cada uma das escolhas que fiz. Agradecer por poder contar com um amor assim, como o dele e de minha mamy. Agradecer por ter aprendido o que é amor incondicional. Agradecer pelas vidas daqueles que me abriram caminho para eu fazer a vida. Agradecer por ter me acolhido no momento em que mais precisei, sem me julgar. Simplesmente acolher, incondicionalmente.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

O mundo será dos sensíveis ou prá onde esta porra deve ir





...Quando as pedras rolam, não adianta tentar desesperadamente fazê-las parar....é preciso calma...aos inimigos, firmeza e desprezo por sua mediocridade...aos aliados, suavidade e amor...

e há tanta coisa ecoando aqui... e eu tentando dar sentido a elas...

Tenho visto tanta gente, tanta gente que gosto, esforçando-se prá achar saída, ou achando que não tem saída...e o pior, acreditando que o problema é delas. Eu faço parte desta gente. Daquelas que não sabe muito bem aonde estará amanhã e que não vê muito sentido em boa parte daquilo que me aprendeu...em boa parte daquilo que acreditou como promessa de vida...estabilidade, casamento, filhos, um mundo em equilíbrio, um "mundo doriana"....Vendem-nos a idéia de que estamos fracassando... quando, na verdade, é nosso modo de vida enquadrado que já fracassou.

E tentamos desesperadamente sobreviver seguindo suas normas, referências, moral...medo do novo...vivemos com medo de apostar no novo porque é duro prá caramba construir sob novas bases e reaprender

...acho mesmo que vamos precisar aprender. Aprender a compartilhar, a sermos mais despreendidos, a abrir mão...Aprender a dar. Aprender a não ver o outro como um calo no sapato.

...ah, dar é bom demais! Muito bom... Mas é preciso fazer com espontaneidade porque a falta dela estraga o prazer. Razão demais, quando se trata de dar, estraga o prazer....

E receber... Porque é preciso aprender também a receber. Nunca pensamos o quanto damos ao outro, quando sabemos dele receber...

Aprender a usar as coisas prá além do nosso umbigo...Usar nossa casa prá além do ¿santuário doméstico¿...casa, papai, mamãe e filhos...não só...casa como abrigo de amigos, como espaço de compartilhamento, agregação...Usar internet como lugar de troca de valores, idéias, informações e afeto...E não de poder, controle de informação...

Não há saída humana possível que não passe pela troca, intercâmbio, escambo. Trocas várias que nos sustentem no mundo. Não apenas sustentação material. Mas afetiva, espiritual, ética...

....sobre isso, minha experiência de trabalho nas favelas e minha própria vida nos últimos anos me ensinou....quem vive na pobreza tem muito a ensinar a classe média, inapta prá sobreviver na adversidade...quem vive na pobreza sabe que é necessário compartilhar mais do que coisas materiais...que é preciso compartilhar informações, articulações, afetos...tudo aquilo que quem não conhece chama de fofoca, favores....

...fico olhando longe e pensando....não vou estar aqui prá ver esta história mas sinto...o mundo não será dos filhos da puta porra nenhuma...O mundo será dos sensíveis, daqueles que sabem sobreviver na troca, que resistem às fábulas da nossa sociedade individualista porque não podem ser individualistas ou porque não acreditam nela...

O mais forte não é o que toma o último avião e apaga a luz...Este é o mais escravo...