Aprendi o cuidado, respeitar a fala e a temperatura do meu corpo. E o ritmo deste coração que só quer quietude. Em noites assim, escolho, tramo...Eu é que reino, soberana...
A casa, vazia. A noite, silenciosa. A lua, cheia, azul, segunda do mês que termina. Não sei o que significa mas parece que algo aqui dentro sabe porque resolveu celebrar. O fogo manso, em incenso. O vinho, tinto. O corpo, semi coberto, em branco e o véu, laranja. E eu, em sangue, aqui comigo, sem contar dias, sem fazer contas. É isso que quero, é disso que preciso.
Danço prá mim. Erguendo-me, do chão. Da terra, buscando o ar, o céu. Voltando à terra prá então paciente, cheia de ar, subir mais uma vez, levantar o peito, buscar... livre. Mover, mover, mover sempre... Vibrando...
Do meu corpo, vai correndo a água. Do ventre, do coração, sai medo, tristeza, coisas que devem partir ... e o suor escorre... Sobre a face, as lágrimas e o véu me cuidam. Só calor, fica por todo o corpo. Me curo. Me molho....e outro mundo me atravessa...Deixo-o entrar. Sorrio, abrigo.
Divido...Já não danço prá mim, danço prá ele. Corpo sem freios, coração sem vergonha. Tramo por ele, do jeito que sei. Cheia de água, com fantasia... Peço por ele... proteção, liberdade, coisas diversas... soberanas.
Reino, cúmplice...amor tem a ver com desvio, com mudança de direção, diversão...
(2004)
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