segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Luz canta para nós


Das luzes e lutas: endurecendo sem perder a ternura

Existem várias formas de se ligar ao universo, ou para quem pensa assim: ligar-se à Deus e sua criação. Minha forma de me ligar ao mundo é através da valorização do humano, escutando tudo que dói e brilha em sua existência.

Acho mesmo que ando por aqui nesta terra por conta disso. Para tentar compreender melhor o humanamente possível e desumanamente silenciado, e buscar caminhos para dizer aquilo que muitos sabem mas não tem palavras para dizer. E aquilo que outros tantos se recusam a escutar.

Nestes caminhos, em uma Comuna Popular em Medellin, encontrei Luz Guevara. Sim, este é o nome desta bela senhora, dona de um lindo espanhol, e de um afeto que vi em poucas pessoas. Um afeto tímido mas intenso.

Luz me contou que a luta em Medellin contra a privatização na Saúde é grande. Lá, como aqui, as pessoas adoecem com a dor da vida. Adoecem por causa dos confrontos armados, pela tensão das condições de vida. Lá, como aqui, os serviços de saúde não respondem às demandas dos moradores.

Mas lá, Luz e outras pessoas, vão para praça pública no Centro da cidade, uma vez por semana, fazer uma vigília: às terças feiras, lá estão na vigílias  MARTES da Saúde. Lá fazem circular informações, trocam ideias e conversam com a população e cantam.

Cantam sua angústia, cantam contra o fato de que só contam com uma sistema de proteção - uma tutela (???) - que nada resolve. Cantam por uma atenção que não seja particular, onde não precisem pagar, que seja direito, direito universal.

em meio ao som dos carros que passam  bem meio da divisa entre as Comunas Populares 1 e 3, Luz canta para nós

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Sente o drama...


Sobre testemunhos e diálogos, novas formas de participação: dando visibilidade ao que é invisível e constituindo novos caminhos de debate.



Ontem, assistir a audiência pública no Alemão, organizada pelo Juntos pelo Complexo do Alemão, com a presença de moradores, coletivos e instituições do território, e as comissões de Direitos Humanos e Educação da ALERJ, além de vários representantes de outras organizações da sociedade civil, me fez pensar em algumas coisas: _ As audiências públicas se constituem hoje em um dos principais caminhos de publicização de problemas e dramas que atingem a população.

_ As audiências públicas abrem espaço para que questões discutidas de forma setorizada e pontual - em conselhos e outros espaços que se tornam cada vez mais burocráticos e técnicos - sejam debatidas de forma integrada, sem isolar problemas que se relacionam.

_ As audiências públicas são conquistas fundamentais e as comissões que lutam para levá-las a frente, assim como as organizações e coletivos do movimento popular, devem ser valorizadas.

_ Diferentes atores sociais e políticos tem lugares, interesses e compromissos diferentes. Se deputados, ong's, coletivos populares, técnicos e profissionais dos serviços públicos, pesquisadores etc etc fossem a mesma coisa, seria difícil avançar na luta social. Como pesquisadora e professora, eu quero ouvir diferentes espaços de ponto de vista, e ainda que não concorde com muitos, penso que algumas visões são fundamentais para o avanço do debate e, no meu caso, para o avanço de meu trabalho. Escuta e agregar o estranho é algo fundamental.

_ O intenso processo de violência a que somos submetidos, e em particular que as favelas e periferias são submetidas, faz com que os moradores encontrem em um espaço como a audiência pública um caminho para tornar pública sua dor e seus problemas, e isso é uma forma fundamental de ação que deve ser valorizada; TESTEMUNHO É AÇÃO.

_ Os fóruns coletivos de debate, dentre eles a audiência pública, precisam encontrar uma dinâmica que incorpore a necessidade de testemunho como forma de participação e faça revisão das habituais e antigas formas de debate, com seus ordenamentos e encaminhamentos. É preciso aprender a responder às necessidades e dinâmica da luta social. Formatos antigos de reuniões e assembleias populares, não respondem mais aos desafios de nossos tempos, as novas formas de participação e representatividade atuais.

_ Dividir-se em um momento em que é necessário incorporar os diferentes espaços de ponto de vista - que lutam por justiça social, para sermos mais humanos, mais livres e por vidas mais dignas - é aceitar o jogo daqueles que querem controlar as lutas populares, e que hoje mais do que nunca temem os novos formatos de participação popular.

E terminando com o que a Mônica Santos Francisco disse em uma das oficinas de nosso projeto (eu colo nela porque não sou boba!) (Fonte: Oficina em Manguinhos: Impactos do PAC sobre a saúde dos moradores ):

"O desejo de falar, ele é muito grande porque as favelas vivem um processo de silenciamento em todas as situações. Então quando alguém chega no sistema de saúde e grita é porque ele quer ser ouvido, não é porque ele está indo ali para brigar, não é porque ele é mal educado, é porque ele é silenciado o tempo todo, e ele é silenciado na sua dor. Então, é o professor, é o profissional de saúde, todos são silenciados na sua dor. Então, na hora que a gente se encontra, você quer falar. Porque é uma terapia. É o momento em que você expõe, você busca de alguma forma no outro, aquilo que a Marize iniciou dizendo, alguma forma de construir para além daquilo que a gente está vivendo".

(escrito em Maio de 2015)


Em 04 de abril de 2015, moradores do Complexo do Alemão, tendo a frente diversos coletivos da Complexo e contando com o apoio de diferentes grupos da sociedade, saíram as ruas no Movimento Somos Todos Complexo, Paz no Alemão, em protesto contra os assassinatos ocorridos na semana anterior, sendo um deles de um menino de 10 anos ( Fonte: Coletivo Papo Reto )
Em 10 de abril de 2015, seguindo-se ao movimento Somos Todos Complexo, o Movimento Juntos pelo Complexo reunindo vários coletivos do Complexo do Alemão faz reunião com a Comissão de Defesa de Direitos Humanos e Cidadania da ALERJ (Fonte: Coletivo Papo Reto)


Em 04 de maio de 2015, moradores do Complexo do Alemão, tendo a frente o movimento Juntos pelo Complexo, se reúnem na Audiência Pública da Comissão de Defesa de Direitos Humanos e Cidadania da ALERJ, coordenada pelo Deputado Estadual Marcelo Freixo (Fonte: Coletivo Papo Reto)

A Audiência foi realizada no colégio Caic Theóphilo de Souza Pinto, sendo contando também com a participação de  profissionais de escolas da região, bem como diferentes atores da sociedade que acompanham as lutas nas favelas e no Complexo do Alemão (Fonte: Coletivo Papo Reto)


Na Audiência, que contou também com a presença de representantes do comando da PM, destacaram-se diferentes depoimentos de moradores, lideranças do Movimento Juntos pelo Complexo e de professores, a respeito das violações de direitos humanos no Complexo do Alemão (Fonte: Coletivo Papo Reto)

terça-feira, 7 de julho de 2015


...era uma vez o lugar de um nada, onde sonha-se verde


Poderia ser  simplesmente um lugar vazio, onde os motoristas param seus carros, porque eles precisam estacionar em algum lugar. Ou poderia ser o lugar dos cachorros descansarem e fazerem suas mais naturais necessidades porque, como sabemos, cachorros tem também necessidades que não são naturais. Embora nunca vi cachorros pousando soltos ali, porque naquele lugar parece que há sempre alguém para acalentar um cão perdido. Ah, sim, poderia ser o lugar do entulho, ou do lixo, que não são muito naturais. Embora por ali faça um pouco parte da paisagem, apesar de muitos tentarem fazer diferente.

Mas acontece que este nada vai se tornando alguma coisa. Das ideias, das mãos, do entre mãos de alguns vai se tornando um lugar que pode ser um tudo. Ali bem pertinho de uma escada destroço que o PAC deixou no abandono, mostrando que algum dia alguém morou ali e perdeu sua casa. Ali, bem próximo desta escada que levava rumo ao nada mas que Mario Bands, um dos tantos artistas dali,  transformou em obra de arte.... ah, ali, bem pertinho, na Central, vai se desenhando um praça.



Avenida Central, Morro do Alemão, Complexo do Alemão


 Os homens da pá e das picaretas, Instituto Raízes em Movimento
Como acontece com o nada, parece que os rumos ainda não estão bem definidos. Há um projeto. Há muita energia. Algumas tantas mãos. Muito suor e alegria. Muita música. Algumas tantas cervejas, enquanto se discute como ocupar o nada, de acordo com os sonhos. Ali se sonha. Sonha-se com um lugar, sem sombras escuras e gritos de angústia e horror. Sonha-se com um lugar de aconchego, onde se possa simplesmente sentar, trocar ideias, ouvir música, jogar conversa fora e ver a favela passear em toda sua vitalidade. 






Enquanto alguns na calada da noite, tramam, negociam e mudam leis, com mãos que se entrelavam na sujeira. Outros, bem mais fortes, que muitas vezes partem do nada, constroem na clareza da manhã e do espaço público. Ali, de armas em punho – picaretas, pás, mudas de plantas, pneus etc...- se tece um possível amanhã, um mutirão para simplesmente ser feliz. Sonha-se verde neste lugar.  



Dia 18 de julho - Inauguração da Praça Verde, na Avenida Central, em frente ao Raízes em Movimento  




domingo, 5 de julho de 2015

Dos personagens, de suas ações e de como insistem em lhes tirar de cena: uma reflexão sobre os movimentos sociais


O link acima - marcado em laranja- refere-se a um texto escrito em 1995. 20 anos se passaram. Muita coisa mudou. Não cabe dizer o que mudou. Muitas outras coisas não mudaram.
Esforçando-me, como tantos outros, em rever travessias, fazer balanço, ando relendo e contemplando imagens...Achei que valia a pena compartilhar. O texto faz parte da minha dissertação de mestrado "Grotão, Parque Proletário, Vila Cruzeiro e outras moradas: História e Saber nas favelas da Penha", defendida na UFF, sob orientação do saudoso e querido mestre Victor Valla e na companhia de amigos queridos, alguns dos quais ainda fazem parte do meu mundo.




Imagem: Juntos pelo Complexo do Alemão - https://www.facebook.com/juntospelocomplexodoalemao
Imagem: Coletivo Papo Reto - https://www.facebook.com/ColetivoPapoReto?fref=ts



Fonte: Fórum de Juventudes do Rio de Janeiro - https://www.facebook.com/forumsocialdemanguinhos/timeline





Fonte: Coletivo Papo Reto



sábado, 4 de julho de 2015

Forbidden Coulours


Cores Proibidas

As feridas em suas mãos perecem nunca sarar
Eu achei que tudo o que precisava era acreditar
Aqui estou, a uma vida inteira longe de você?
O sangue de Cristo, ou as batidas do meu coração
Meu amor veste cores proibidas
Minha vida acredita
Anos sem sentido passam
Milhões estão dispostos a dar suas vidas por você
Nada continua a viver?
Aprendendo a lidar com sentimentos acordados em mim
Minhas mãos no solo enterradas dentro de mim mesma
Meu amor veste cores proibidas
Minha vida acredita em você mais uma vez
Eu ando em círculos
Enquanto duvido do próprio chão abaixo de mim
Tentando mostrar fé indiscutível em tudo
Aqui estou, a uma vida inteira longe de você?
O sangue de Cristo, ou uma mudança no coração
Meu amor veste cores proibidas
Minha vida acredita
Meu amor veste cores proibidas
Minha vida acredita em você mais uma vez

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Da vida entre arcos e perguntas sem respostas


....sempre foi assim, um coração meio sintonizado tomando o sangue de outro.

O quanto custou durante tanto tempo ouvir a dor e a impotência na fala de quem você quer bem, uma amiga, um amigo,,alguém como você, que foi "mal vista (o)"  vista pela metade? Alguém que você viu tecer tantos sonhos... O quanto custa você ver o que este alguém não pode ver, porque se diz doente? O quanto custa você ver luta, sensibilidade e doçura, sangue guerreiro em alguém que se vê impotente e insensível? Que não vê sentido na vida.

O quanto custa você se ve neste lugar, desprovido de sentido, sem energia para fazer o que sempre fez, tentar ver além quando a maioria quer ver aquém?

O quanto sentir metade, quando se aposta em ser inteiro? Tentar o além e só te acenarem aquém. O quanto custa você não poder explicar uma só vez aquilo que só consegue compreender. O quanto custa saber que só lhe resta calar quando gostaria de gritar?

O quanto custa enfrentar o saber asséptico, os uniformes disformes, os especialismos, os objetivismos, a lógica burra que cria um abismo entre nós e a paisagem que vislumbramos? O quanto custa deparar-se com um muro onde parece escrito em letras quadradas, desumanas, sem sangue e poesia: "você não pode" ? Um muro que parece nos empurrar para o vazio, querendo nos interditar vida.

O quanto custa lançar a alma no espaço por entre prisioneiros? O quanto custa ser inacabada quando a sua volta há tanto ser acabado? O quanto custa transitar em espiral num mundo em círculo? O quando custa viver num mundo espiral que se quer quadrado, pré modernidade?

Há alguns anos eu pensava ter pistas para tudo isso, pensava respostas.

Hoje, eu apenas respiro para acalmar meu coração.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

De chegadas e partidas


"Eu cheguei a seguinte conclusão: a terra é do latifundiário, o mar é da marinha, o céu é da aeronáutica e para as favelados só sobrou o inferno", foi bem assim que falou o morador de uma favela da Penha, subúrbio do município do Rio de Janeiro. "Inferno", lugar de padecimento. Lugar da "sobra".

Refletir sobre chegadas e partidas é buscar o que nos move. É buscar fios de memórias, ressignificá-los no presente e reencontrar novas direções. Sobre isso, posso dizer que sempre quis saber mais e mais do "inferno". Conhecer a sobra. Explicar a sobra. Os sobrantes.

Foi assim que cheguei pela primeira vez numa favela do Rio de Janeiro: a Chácara do Céu. Atravessando uma fronteira. Estranha no lugar. Imagens na cabeça. Buscando conhecimentos que pudessem explicar estas imagens.

A Marginalidade em Questão: Conflito Social, Condições de Vida e Cotidiano na Favela (1992) nasceu daí. Da busca incessante de explicações para a existência daquele lugar, descrito pela moradora. "Lugar esquecido por Deus", disse D. Sebastiana. Explicações que me fizessem entender também o dia a dia daqueles que moravam ali. "Dias de muita luta", como falou outra moradora que nem lembro o nome.

O problema é que houve incidentes no meio da feitura daquele trabalho. Foi quando Dona Sebastiana me disse bem assim: "Minha vida está boa do jeito que está". Surpresa não fiquei não. Já tinha ouvido antes coisas parecidas e minha formação acadêmica me dava uma série de conceitos prá entender aquilo: alienação, falta de consciência histórica e de classe. Mas fiquei sim, foi desconfiada. A autoridade nos gestos, no tom e mesmo no conteúdo da afirmação de Sebastiana e outros tantos moradores, confrontada com a evidente precariedade de suas condições de vida, levou-me a desconfiar que não a estava entendendo, percebendo alguma coisa em sua fala e que, portanto, podia haver algo "errado" comigo, com minha formação acadêmica e profissional. Foi isso que concluí.

E aí comecei a perceber que queria mais. Mais do que explicar. Queria compreender a "sobra". A vida na "sobra". Saber se era mesmo "inferno". E compreender também suas relações com aquilo que não é "sobra". Com aquilo que é domínio na cidade. E que é domínio nas relações que nela se tecem. Queria compreender as relações da "sobra" com aqueles que vão ao "inferno", em busca de alguma coisa, com algum interesse, assim como eu estava fazendo.


Ponto de chegada, começo de outra partida. A partida que fez nascer meu projeto de pesquisa no mestrado, a respeito da memória histórica nas favelas: Reconstruindo a trama por caminhos, atalhos e pistas (1994).



17 de junho de 2003 - Blog entrelugares



 Escada, destroço da remoção, antes
e depois, transformada em arte por Mario Bands
  Avenida Central- Morro do Alemão - 2013







Escada - Imagem: Arley Macedo
Rocinha, 2013

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Viagens: de sapos e do amor


 


Em minha infância, acreditava em transformação. Com o tempo, fui perdendo a espontaneidade do apostar e minha crença foi para algum lugar inalcançavel. Mas acho que sempre acreditei em transformação. Ainda que em minha própria vida não tenha provas inequívocas, meu ser, em corpo e alma, acredita. E conforme o tempo vai passando, vou me convencendo que há coisas que apenas são. São imponderáveis. Não se explicam. E faz parte da nossa abusada vaidade humana querer explicar o que só se pode acolher com as "entranhas". Esta pode ser nossa tragédia querer responder questões que não tem resposta e que são apenas prá serem vividas


O texto aí embaixo é uma história taoísta que descobri há algum tempo. Junto da história, fiz um resumo da interpretação dada pelo autor que fez a coletânea das histórias do mestre zen Paw Nokoko. Não se sabe ao certo se este mestre existiu ou não. Dizem que viveu por volta do fim do século VIII e tinha um único discípulo: Boundha. As histórias de Paw Nokoko tem a marca da irreverência, joga com as palavras e vai na contramão do convencionalismo.



Paw Nokoko fala sobre o amor

Boundha estava sentado à margem do lago do PEI do (significa: ¿o que vem das entranhas¿) quando um sapo, horrivelmente feio, pulou no seu colo e foi logo dizendo: Beije-me que me transformarei numa linda princesa¿. Boundha olhou demoradamente para o sapo, sua pele viscosa, cheia de manchas amarelas, a enorme boca, os olhos esbugalhados...Seu estômago doeu. Vacilantemente, mas cheio de esperanças, beijou-º O sapo continuou sapo. Boundha foi correndo falar com Paw Nokoko.
_ Mestre, por que não houve a transformação?
_ Porque você beijou com asco.




Só o amor transforma. Amor significa total aceitação. Nenhum julgamento.
O amor só é possível a partir do SER, da não-mente.
O amor é o único milagre possível, a mais autêntica alquimia: transforma o mundano no divino, o Silêncio na Divina Melodia.
O mistério do amor reside no fato de que é orgásmico encontro da vida e da morte. E a tragédia do amor é que você pode perdê-lo, se não fizer algo conscientemente.

Para atingi-lo há quatro degraus:

1. Estar no aqui-agora. O amor só é possível no presente. Passado e futuro são viagens do Pensar. O Pensar mata as emoções.

2. Aprender a transformar o veneno em mel. Alguns conseguem amar, mas o amor deles está contaminado pelo ciúme, raiva, possessividade. Todos frutos envenenados da mente. Se o veneno se mistura com o amor, vive-se no inferno, a loucura.
A transformação acontece só pelo observar. Não ser a favor nem contra. Não julgar. Unicamente, olhar a emoção sem nada fazer. Esperar pacientemente, quieto e indiferente. A emoção segue seu curso natural até o máximo, quando há a transformação.

3. Compartilhar. Toda emoção é um movimento da energia dentro de nós. Mover-se é seu atributo. Mas atenção! Só compartilhe a emoção positiva: a alegria, o êxtase, a celebração, o amor. As emoções negativas devem ser transformadas em mel. Não espalhe sua miséria pelo mundo.

4. Seja nada. Amor e ego não podem existir juntos. Com o ego você é muito. Com o amor você deixa de existir e só o amor existe. Este é o verdadeiro estado de humildade. O amor destrói o ego completamente, transformando-o num bambu oco, numa flauta. Então a Divina Melodia pode acontecer. Sendo NADA você atinge o TODO.

( Prashanto, O Dragão com asas de borboleta e outras histórias zen-taoístas



(Dezembro de 2003, nos tempos de transformação do veneno)