terça-feira, 7 de julho de 2015


...era uma vez o lugar de um nada, onde sonha-se verde


Poderia ser  simplesmente um lugar vazio, onde os motoristas param seus carros, porque eles precisam estacionar em algum lugar. Ou poderia ser o lugar dos cachorros descansarem e fazerem suas mais naturais necessidades porque, como sabemos, cachorros tem também necessidades que não são naturais. Embora nunca vi cachorros pousando soltos ali, porque naquele lugar parece que há sempre alguém para acalentar um cão perdido. Ah, sim, poderia ser o lugar do entulho, ou do lixo, que não são muito naturais. Embora por ali faça um pouco parte da paisagem, apesar de muitos tentarem fazer diferente.

Mas acontece que este nada vai se tornando alguma coisa. Das ideias, das mãos, do entre mãos de alguns vai se tornando um lugar que pode ser um tudo. Ali bem pertinho de uma escada destroço que o PAC deixou no abandono, mostrando que algum dia alguém morou ali e perdeu sua casa. Ali, bem próximo desta escada que levava rumo ao nada mas que Mario Bands, um dos tantos artistas dali,  transformou em obra de arte.... ah, ali, bem pertinho, na Central, vai se desenhando um praça.



Avenida Central, Morro do Alemão, Complexo do Alemão


 Os homens da pá e das picaretas, Instituto Raízes em Movimento
Como acontece com o nada, parece que os rumos ainda não estão bem definidos. Há um projeto. Há muita energia. Algumas tantas mãos. Muito suor e alegria. Muita música. Algumas tantas cervejas, enquanto se discute como ocupar o nada, de acordo com os sonhos. Ali se sonha. Sonha-se com um lugar, sem sombras escuras e gritos de angústia e horror. Sonha-se com um lugar de aconchego, onde se possa simplesmente sentar, trocar ideias, ouvir música, jogar conversa fora e ver a favela passear em toda sua vitalidade. 






Enquanto alguns na calada da noite, tramam, negociam e mudam leis, com mãos que se entrelavam na sujeira. Outros, bem mais fortes, que muitas vezes partem do nada, constroem na clareza da manhã e do espaço público. Ali, de armas em punho – picaretas, pás, mudas de plantas, pneus etc...- se tece um possível amanhã, um mutirão para simplesmente ser feliz. Sonha-se verde neste lugar.  



Dia 18 de julho - Inauguração da Praça Verde, na Avenida Central, em frente ao Raízes em Movimento  




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