sexta-feira, 3 de julho de 2015
Da vida entre arcos e perguntas sem respostas
....sempre foi assim, um coração meio sintonizado tomando o sangue de outro.
O quanto custou durante tanto tempo ouvir a dor e a impotência na fala de quem você quer bem, uma amiga, um amigo,,alguém como você, que foi "mal vista (o)" vista pela metade? Alguém que você viu tecer tantos sonhos... O quanto custa você ver o que este alguém não pode ver, porque se diz doente? O quanto custa você ver luta, sensibilidade e doçura, sangue guerreiro em alguém que se vê impotente e insensível? Que não vê sentido na vida.
O quanto custa você se ve neste lugar, desprovido de sentido, sem energia para fazer o que sempre fez, tentar ver além quando a maioria quer ver aquém?
O quanto sentir metade, quando se aposta em ser inteiro? Tentar o além e só te acenarem aquém. O quanto custa você não poder explicar uma só vez aquilo que só consegue compreender. O quanto custa saber que só lhe resta calar quando gostaria de gritar?
O quanto custa enfrentar o saber asséptico, os uniformes disformes, os especialismos, os objetivismos, a lógica burra que cria um abismo entre nós e a paisagem que vislumbramos? O quanto custa deparar-se com um muro onde parece escrito em letras quadradas, desumanas, sem sangue e poesia: "você não pode" ? Um muro que parece nos empurrar para o vazio, querendo nos interditar vida.
O quanto custa lançar a alma no espaço por entre prisioneiros? O quanto custa ser inacabada quando a sua volta há tanto ser acabado? O quanto custa transitar em espiral num mundo em círculo? O quando custa viver num mundo espiral que se quer quadrado, pré modernidade?
Há alguns anos eu pensava ter pistas para tudo isso, pensava respostas.
Hoje, eu apenas respiro para acalmar meu coração.
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