...Quando as pedras rolam, não adianta tentar desesperadamente fazê-las parar....é preciso calma...aos inimigos, firmeza e desprezo por sua mediocridade...aos aliados, suavidade e amor...
e há tanta coisa ecoando aqui... e eu tentando dar sentido a elas...
Tenho visto tanta gente, tanta gente que gosto, esforçando-se prá achar saída, ou achando que não tem saída...e o pior, acreditando que o problema é delas. Eu faço parte desta gente. Daquelas que não sabe muito bem aonde estará amanhã e que não vê muito sentido em boa parte daquilo que me aprendeu...em boa parte daquilo que acreditou como promessa de vida...estabilidade, casamento, filhos, um mundo em equilíbrio, um "mundo doriana"....Vendem-nos a idéia de que estamos fracassando... quando, na verdade, é nosso modo de vida enquadrado que já fracassou.
E tentamos desesperadamente sobreviver seguindo suas normas, referências, moral...medo do novo...vivemos com medo de apostar no novo porque é duro prá caramba construir sob novas bases e reaprender
...acho mesmo que vamos precisar aprender. Aprender a compartilhar, a sermos mais despreendidos, a abrir mão...Aprender a dar. Aprender a não ver o outro como um calo no sapato.
...ah, dar é bom demais! Muito bom... Mas é preciso fazer com espontaneidade porque a falta dela estraga o prazer. Razão demais, quando se trata de dar, estraga o prazer....
E receber... Porque é preciso aprender também a receber. Nunca pensamos o quanto damos ao outro, quando sabemos dele receber...
Aprender a usar as coisas prá além do nosso umbigo...Usar nossa casa prá além do ¿santuário doméstico¿...casa, papai, mamãe e filhos...não só...casa como abrigo de amigos, como espaço de compartilhamento, agregação...Usar internet como lugar de troca de valores, idéias, informações e afeto...E não de poder, controle de informação...
Não há saída humana possível que não passe pela troca, intercâmbio, escambo. Trocas várias que nos sustentem no mundo. Não apenas sustentação material. Mas afetiva, espiritual, ética...
....sobre isso, minha experiência de trabalho nas favelas e minha própria vida nos últimos anos me ensinou....quem vive na pobreza tem muito a ensinar a classe média, inapta prá sobreviver na adversidade...quem vive na pobreza sabe que é necessário compartilhar mais do que coisas materiais...que é preciso compartilhar informações, articulações, afetos...tudo aquilo que quem não conhece chama de fofoca, favores....
...fico olhando longe e pensando....não vou estar aqui prá ver esta história mas sinto...o mundo não será dos filhos da puta porra nenhuma...O mundo será dos sensíveis, daqueles que sabem sobreviver na troca, que resistem às fábulas da nossa sociedade individualista porque não podem ser individualistas ou porque não acreditam nela...
O mais forte não é o que toma o último avião e apaga a luz...Este é o mais escravo...
escrito por mim em 2004 mas ainda tão atual para mim que republiquei aqui.
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